Término Pós- moderno de um idílio amoroso

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Entre lágrimas de saudade e memória das velhas vontades
Ei-la digitando na madrugada notívaga
Por acaso espera alguma redenção?
Ei, menina, como tua amiga mais antiga devo te alertar:
Aparta desse corpo
Tu agora é uma mulher
Não é possível que prevaleça
Essa angústia de querer
Que de tempos em tempos avança entre nostalgias
Não tens nenhuma beleza para escrever?
Já não tivestes mais nenhuma alegria em companhia?
Não é possível que tua insistência seja maior 
Que a força de tua própria mente
Entre tantras, meditações e exercícios de respiração
Ainda espere do Acaso, do Cosmos, ou de qualquer outro botão
A atitude que só poderia ser acionada pela vontade de mais de um.
Em pleno mundo das selfies, dos crush's e das hastags
Ela parece perdida submersa em lembranças
Disse-me que era tão bom, muito melhor que hoje
Confessou-me que tem medo de nunca mais amar 
E só não é pior porque no mundo ela conheceu um dia, o amor
Mas já não sabe amar o amor que lhe ensinaram
Ela já não quer o turbilhão, a dor, o desespero do apego e nem a saudade
Sonha com um amor que lute por equidade, justiça e revolucione a forma de amar o mundo
Mas me confessou que queria mesmo ter sido escolhida por ele
Assim como ela o havia escolhido noutro tempo
Ah, naquele tempo menos líquido, menos fluído
Em que os dois passavam as noites no vento
Inventando sonhos, planejando suas vidas tendo a Lua como espectadora.
Ela fitou-me, chorando e perguntou:
Será que ele já não se lembra? Será que não ri mais de nossas histórias?
Calei-me. 
Agora, nenhuma mensagem instantânea
Nenhuma curtida nas publicações e tampouco nas fotos dela
Seguem bloqueados nas Redes Sociais
E ela, no seu mais violento ímpeto,
Apagou todas as fotos do cartão de memória
Onde ficarão guardadas as lembranças agora?
Nesse momento ela escreve uma carta que enviará por e-mail
Fonte Times, tamanho 12 e espaçamento 1,5
O mais formal possível para avisar da morte do peixinho dourado que compraram juntos.

Ana Paula Duarte. Notívaga em busca do retorno eterno (?).

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