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Mostrando postagens de 2010

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direit…

Cadê ela??

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"E é na madrugada que o meu silêncio fala e se revela..."

"Venha vida, venha! Me pegue de jeito!"

"Mas, ainda ponho minha esperança em Deus, que como herança esta terra nos deu..."
"Ah, eu quero que a imensidão dos meus tudos transbordem tanto que chegue a contagiar até os infelizes..."
"Aquela cena pareceu-me de cinema, de romance, encantada, e eu ainda senti tudo o que de mais mágico aquele momento me proporcionou."
Que tragédia, não sai nada e já faz tempo!
Não, eu não estou louca (não mais que o costume), o que me acontece é algo que nunca me aconteceu. Há dias não consigo escrever uma linha que me agrade, uma só frase que me faça ter vontade de formar um corpo textual. Andei tensa uns dias  por conta disso, as palavras sempre vieram aos montes e junto com turbilhões de emoções e sentimentos, elas andavam lado a lado comigo! E agora parecem ter desaparecido. O mais engraçado é que estou no momento mais intenso e insano da minha vi…

Quando DEUS brincou de ser GRANDE

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Esta manhã estava conversando com um dos meus preferidos amigos mortos, Alberto Caeiro. Ele me contava como num meio-dia de fim de primavera o menino Jesus Cristo tinha fugido do céu para vir brincar entre nós. Meu amigo descobriu uma das coisas essenciais para entender o Cristianismo: Deus é menino, uma criança. A maior heresia que há é acreditar que Deus é aquele ser idoso de barba e cajado na mão.
Quem, se não uma criança, sairia de sua solidão para criar, imaginar mundos? Quem, se não uma criança, ao invés de criar algo "sério", criaria um jardim e amigos para vir toda tarde passear com eles?  Quem, se não uma criança, proporia o primeiro jogo, tipicamente infantil, no qual ele desafia aos seus amigos a não comer de apenas uma árvore de todo o Jardim? Certamente esses não são comportamentos de "gente grande". Mas além de ser criança Deus é uma criança sapeca, e como toda criança resolveu brincar de faz de conta, mas de maneira muito perigosa, resolveu brincar de se…

Deambulando

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... Transição planetária.

Deixe-me!

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Deixe-me, sim deixe!
Deixe que eu sinta por completo
Deixe que eu me jogue no fogo
Não, não eu não vou -me queimar

Tire de mim essas armaduras todas,
Não suporto este peso!
Deixe que eu vá sem nenhuma...
Cicatrizes? Estão todas aqui
Mas não doem, são apenas para lembrar das traquinadas...
As dores? Já se foram há tempos...
Então, deixe-me ir
E me aventurar nesta empreitada
Me refastelar no relento da vida
Deixe-me sentir novas sensações
Experimentar novos sentimentos
Chega deste solilóquio complacente!
A Primavera se vai...
Deixe que meu Flamboyant floresça,
Pois quero sim,
Me esconder da quentura do sol
Bem debaixo das suas folhas.
Deixe-me ser humana,
E derreter este gelo ao proferir palavras de amor
Sei que de alguma maneira nos aquecerá. 




                                                            Imagem do google

Ana Paula Duarte. Prometo que nas férias, darei mais atenção ao blog...Fico grata por ter mais leitores que comentaristas. Obrigada!

Eternidades

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O que é eterno?

Eternas são as fotografias

Que captam os risos de alegria,
As maquiagens-fantasias


Nossas alegorias, Os copos!
Eternos são os choros, escondidos em confidentes,



Que se terminaram em tantos ombros amigos. O que é eterno? Eterno é a companhia,


Os por quês, As Seletas,


Eterno é este pôr-do-sol,


É aquela primavera, aquela viagem, aquele verão...

Eterno é tudo que foi além de solidificação, Pode ser aquilo que se vê, ou o que já não mais existe,

Eternos são todos os parabéns,

Antes palavras que balas perdidas

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Uma sensação de esperança, uma onda de expectativa começa a surgir e se concentrar em torno do que antes era considerado um sistema falido, o sistema de Segurança Pública no Rio de Janeiro. O Estado, que durante muito tempo fazia vistas grossas para a ascensão e o crescimento do poder paralelo instituído nas favelas de uma das mais lindas cidades do mundo, começa a agir e com o apoio de tropas federais de outros setores da Segurança Nacional. A população comemora, a mídia comemora e estampa para o mundo que enfim a polícia brasileira reagiu contra o crime organizado.Os policiais são grandes heróis, e os traficantes, uns monstros miseráveis.       Miseráveis, sim miseráveis! SERES HUMANOS que não tiveram oportunidade, graças a desigualdade, graças a globalização e hoje eles são vilões, mas pobrezinhos sim, pois seu poder não chega a tanto, são apenas peças de xadrez nas mãos de grandes e poderosos jogadores, jogadores que se camuflam, ostentam classe social, patente e cargos de c…

Nebulosa de Órion

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imagem do google

De vapor e poeira  Infindos Tóxicos, Psicodélicos fissurados Coloridos e enternecidos, Com seus odores Aturdidos  Fundiram-se ao branco e preto e Num rastro louco e desvairado Surgiu no Universo  Onde não brilhava nada  e Uniu Difundiu Transpassou Partiu... E a nebulosa brilhante surgiu A me confundir A me impedir a visão A me limitar A invadir meu Universo Inverso Tão linda Perigoso engano Mancha difusa Linda Mancha Eu a vi com meus próprios olhos, Pude até tocar Lilás? Esplêndida! A maior e A mais brilhante entre todas E ao seu redor brilham outras Outras tantas! Que invejam o seu brilho Eu aqui, a milhares de anos luz Queria tocá-la! Sei que despedaça Pois é frágil areia, Adveio do colapso estelar.



Ana Paula Duarte. Sinto que alguma coisa devo aprender com ela...

A síndrome do sapo-boi

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Sabe uma coisa que me cansa deveras? É essa mania das pessoas em não respeitar aos outros. É esta sempre pseudo-superioridade, seja intelectual (que sinceramente mais me incomoda), financeira ou social. Este ar de "eu sei", "eu sou", essa vaidade sem fim...Vai pra puta que pariu com isso! Uma mania feia de rir do gosto alheio, essa ridícula pose por gostos americanizados (o clichê EUA), uma visão europeizada  de brasileiro esquizofrênico que mora no Brasil e quer viver como se estivesse em Paris, negando sua cultura, rejeitando seu povo, sua brasilidade e mais, não sabe aqui "morar", sendo um péssimo inquilino e vizinho.
Eu sei que a modernidade não é lá grande coisa, ela nos encheu de vícios e nos individualizou, mas ela tem os seus benefícios, entre eles a liberdade no pensar, no gostar, no expressar...Eu acho mesmo brega indivíduos que participam e têm acesso maior à cultura e mesmo a informação começar a desdenhar de quem não tem/teve as mesmas oportun…

O que será que será?

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      E definitivamente, aquela não era eu. Este é meu corpo, esta é minha melhor roupa, este é meu sorriso. Este é o meu olhar? Ouvi dizer que a gente sempre está a procura de algo. Será verdade? E o que eu procuro então? 
    Deram-me purpurina, confetes, adufes, acessórios dos mais simples aos mais sofisticados, alegorias, um palácio, súditos, um trono. Sentei, adornada e afoita, porém só agora percebo, que este reino não é meu, os súditos não são meus de fato, e sim de uma rainha que eles mesmos criaram, uma idealização que primorosamente refleti. Eles não podem me amar, esta não sou eu, este amor não me pertence. Essa alegria não é minha!      Quem sou afinal? Quem devo ser? Princesa, plebéia, alegre ou triste? Onde é o meu reino? Afinal tenho reino? Afinal o que eu quero? Atravesso a noite a perguntar no escuro a ecoar e a resposta de onde vem? De mim, de Deus ou deles? Onde está a resposta? E por que eu teimo em perguntar e a buscar o que nem eu mesma sei?       O reino está em fe…

PÉ NA ESTRADA DA VIDA...

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É estranho, mas retrocedo. Passos tímidos, olhar fixo, célebre em um alvo. E sempre caminhávamos lado a lado, nos separávamos nalgumas curvas, mas sempre voltávamos a caminhar juntos.
   E assim foi durante grande parte da caminhada humana rumo à felicidade. E numa dessas curvas, quase não sobrevivi para voltar e te reencontrar noutra pista. Pois a dor e o medo me tomavam todo o corpo e alma. Não surpreendente, como de costume, eis que me reergui e voltei a ti.Tua face tão familiar, clara, acalentadora, só me dava a certeza de que a cada curva, mais te amava, e quando voltava, mais festa fazíamos, mais amigos éramos.
   Éramos dois, sem precisar deixar de ser...Éramos, porque já não somos, porque a vida, tratou de mais uma vez, nos colocar em curvas, das quais, não saíremos ilesos, das quais, não existem retornos ou saídas. Só resta uma longa e desconhecida estrada a ser percorrida, já não seguiremos juntos.  A vida tem dessas coisas, e se aprendi contigo neste imenso caminho, é q…

Implícito

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Olhavam e não enxergavam, A beleza das pedrinhas por baixo do rio. Um dia, um menino de olhos iluminados
Viu reluzir Abaixou-se humildemente E meteu as mãos na água. Era ouro puríssimo, de valor imensurável E toda a campina  Se ouriçou ao descobrir Que todo o tempo, o ouro esteve ali,  Em meio a outras pedras, disfarçado e comunal. Porém, bastou olhos iluminados de menino, Para tal descoberta descomunal.

Ana Paula Duarte

Leonardo Boff: Com Dilma para garantir conquistas e consolidar avanços

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DEBATE ABERTO
Dilma: garantir conquistas e consolidar avanços
Serra representa outro projeto de Brasil que vem do passado, se reveste de belas palavras e de propostas ilusórias mas que fundamentalmente é neoliberal e não-popular e que se propõe privatizar e debilitar o Estado para permitir a atuação livre do capital privado nacional, articulado com o mundial.
Leonardo Boff
O Brasil já deixou de “estar deitado eternamente em berço esplêndido”. Nos últimos anos, particularmente sob a administração do Presidente Lula, conheceu transformações inéditas em nossa história. Elas se derivaram de um projeto político que decide colocar a nação acima do mercado, que concede centralidade ao social-popular, conseguindo integrar milhões e milhões de pessoas, antes condenadas à exclusão e a morrer antes do tempo. Apesar dos constrangimentos que teve que assumir da macroeconomia neoliberal, não se submeteu aos ditames vindos do FMI, do Banco Mundial e de outras instâncias que comandam o curso da globaliza…

Das coisas e do medo de ser só.

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Tem épocas na vida da gente em que aparecem tantas pessoas, a vida se enche de gentes, que fica até difícil administrar tanta atenção. Têm outras em que há quietude e solidão, onde o silêncio das ausências fala alto. Porém sem saudade, porque de alguma maneira há presença nesta falta.
   Tem gente que tem pânico de viver só. Eu não. A solidão me cai bem algumas vezes. Não estou fazendo apologia ao isolamento misantropo, não se trata disso, sou um ser sociável, mas aprendi e me acostumei com estes momentos de solidão e silêncio. Já não tenho pavor de mim, já não sou tão dependente de presenças físicas. Aprendi a conviver com presenças pra além. Como isso? Não quero saber de cabimento e nexo, mas, por tantas vezes nos sentimos sós em meio à uma vasta multidão. Presenças físicas... Mas, cheias de ausência.E quando me ligo à solidão, a abraço. Aprendi a aproveitar instantes. Cubro-me com sua paz e introspecção.     Caminhar sozinho é uma das nossas primeiras grandes atividades da vida. É pr…

Sobre a Infância e o Tempo

Não faz tanto tempo, não aqui junto as minhas lembranças, de um tempo tão doce, tão grande e despretensioso. Infância, eu te tive um dia, aliás, todos nós e de ti recordamos num saudosismo ufânico! Saudade, essa palavrinha vernácula que sempre consegue nos arrancar gotinhas de lágrimas. E elas são o combustível do meu ato de agora: escrever sobre o tempo, o tempo da puerícia! As recordações são as melhores, e é engraçado lembrar em como eu queria naquele tempo, que o tempo corresse louco! Ah, minhas vózinhas lindas, ah os quintais enormes, com bichinhos e muita terra, como eu os amei! Amava aquela liberdade de não ser nada, de ficar ali, fingindo ser cigana, fingindo cozinhar folhas de língua-de-sogra, de bater nos meus primos, de ter meus primos tão perto de mim, de não ter mágoas de tios, de ter os tios tão por perto e todo mundo junto numa confusão danada! Saudade até de ser sempre o bode expiatório por ser a mais levada. Minha imaginação sempre me fez voar além e por isso, eu queria t…