Antes palavras que balas perdidas

  
     Uma sensação de esperança, uma onda de expectativa começa a surgir e se concentrar em torno do que antes era considerado um sistema falido, o sistema de Segurança Pública no Rio de Janeiro. O Estado, que durante muito tempo fazia vistas grossas para a ascensão e o crescimento do poder paralelo instituído nas favelas de uma das mais lindas cidades do mundo, começa a agir e com o apoio de tropas federais de outros setores da Segurança Nacional. A população comemora, a mídia comemora e estampa para o mundo que enfim a polícia brasileira reagiu contra o crime organizado.Os policiais são grandes heróis, e os traficantes, uns monstros miseráveis.
      Miseráveis, sim miseráveis! SERES HUMANOS que não tiveram oportunidade, graças a desigualdade, graças a globalização e hoje eles são vilões, mas pobrezinhos sim, pois seu poder não chega a tanto, são apenas peças de xadrez nas mãos de grandes e poderosos jogadores, jogadores que se camuflam, ostentam classe social, patente e cargos de chefia. "Coloquem fogo na favela, matem todos, todos estes miseráveis." Expressão que com muita pena pude ler no Twitter de um internauta. 
       A questão vai muito além de matar, queimar e exterminar PESSOAS, pois é, falamos de pessoas e não de baratas. Estamos falando do Estado, e se ele existe, se está aí é para justamente nos assegurar e garantir os direitos que temos à Constituição e isso inclui os traficantes também. Tenho medo de que essa luta contemporânea pelo consumo e individualização acabe nos desumanizando, porque foi o que aconteceu com estas pessoas, que nada tem a perder, eles só querem um tênis de marca, depois uma moto, uma casa com piscina no alto morro e depois, o mundo! Por que isso? Falta de estrutura familiar, estudo, de auxílio do Estado, é, este mesmo Estado herói, que hoje impõe respeito, durante muito tempo virou as costas e foi permissivo com relação a desigualdade e miséria social e então nasceram os filhos da desigualdade que hoje são denominados de monstros, deflagrando essa guerra civil que ocorre em grande parte do país. Ou você aí tem o direito de ir vir assegurado tranquilamente? Ou a violência ainda não chegou até você? A violência está em toda parte, o RJ foi só o ápice dela, reflexo do que vai acontecer ainda com os demais estados que permanecerem com posturas hipócritas, ora de descaso, ora de intolerância, ora de corrupção.
     O que nós estamos presenciando é um momento histórico para a cidade do Rio de Janeiro e que servirá de exemplo pra os demais estados do país. O tráfico de drogas se mecanizou e se articulou, se alastrando morro acima, entre as vielas e os becos, depreciando, estigmatizando e muitas vezes generalizando seus habitantes.  
      As favelas cresceram e se tornaram bairros com grandes conexões, o comércio gerado em torno do tráfico é grande e variado, tem raízes profundas que chegaram até os mais altos planaltos, são plantas como a erva daninha que chegaram até os quartéis, delegacias, gabinetes, até mesmo veículos midiáticos...Não se enganem, tudo isso é estratégia, talvez para gringo ver, talvez para neutralizar de vez os traficantes e fortalecer as milícias...O tráfico sustenta muitos, se ele acabar, cabeças vão rolar, cabeças importantes. Infelizmente, a população não está em primeiro plano.
     Agora policiais circulam com suas armas protetoras impunhadas pelos complexos de favelas e seus  moradores tem respirado "aliviados". Que ótimo, mas a pergunta que eu faço é, até quando? Porque apenas a implantação das Unidades Passificadoras não é garantia de paz e do fim do tráfico. A solução é uma só: educação! O sistema globalizado e capitalista permanece, não mudará, não é viável para as elites perderem seus benefícios em prol da população menos favorecida, mas a educação garante ascensão e conhecimento, desalienação,  novas escolhas, os caminhos se abrem...Sem educação ficam as lacunas e é onde a criminalidade encontra espaço.
        É mais que uma guerra militar, é social, é ideológica e diria mais, não se resolverá apenas enxotando traficantes e atirando como num video-game, se resolve com políticas públicas e reformas radicais e constitucionais que assegurem outras escolhas e possibilidades para nossas crianças, que hoje assistem toda essa barbárie, elas serão os jovens de amanhã e a violência que virá, pode ser ainda maior, depende agora de verdadeira guerra, uma revolução limpa e sem armas, proponho a revolução dos livros, da EDUCAÇÃO e da cultura, isso se chama inclusão. Como seria bom se aprendêssemos por osmose aquilo que Cristóvão Buarque brilhantemente diz: " Só a Educação transforma este país" .

 Paz não só no Rio, mas em todo o Brasil!


Ana Paula Duarte.

Comentários

Dayane Carneiro disse…
ótimo texto, Ana. Vejo vc bastante fiel ao seu modo coerente de pensar! Infelizmente é a realidade q nos envolve. EDUCAÇÃO com certeza é a nosso principal arma, mas n é a única, levando em conta a realidade de muitos q teem uma ótima e se perdem no mundo do crime. Baratas é um termo forte, mas n é, por mim, descartado. Parabéns!
Rafaek disse…
Rio de Janeiro continua lindo!!!
kkkkkkkkkkkkkkkk, ó pro outro...É, tá lindo, vai pra lá SDC!!
paula disse…
Como sempre ótimas ideias, longe do senso comum, você critica e expôe os seus pontos de vista isso é bom, haja vista a alienação promovida pela mídia.Perfeito, Bjo
Daniel Savio disse…
Adorei esta parte "A violência está em toda parte, o RJ foi só o ápice dela, reflexo do que vai acontecer ainda com os demais estados que permanecerem com posturas hipócritas, ora de descaso, ora de intolerância, ora de corrupção".

Pois não precisa sofre com um ato armado para sofre um ato violência, pois quantas vezes que somos xingados de forma tão baixa.

Fique com Deus, menina Ana Paula Duarte.
Um abraço.

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