Das dores



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Há momentos em que a tristeza toma conta
Até das piscadelas de olho
E todo corpo dói
É como se o peso do mundo estivesse em teus ombros
E você não consegue enxergar um possível horizonte.
Todo mundo te chama de forte,
Pensa que tua capacidade de aguentar tudo é grande
Acha que teu limite não chega.
Ledo engano,
É tudo tão igual e humanamente frágil,
Demandas, responsabilidades, projeções
Tudo parece ter sido criado pra te oprimir
E limitar tuas forças
A respiração fica ofegante
Os batimentos na sofreguidão descompassam
E escrever parece a única calma
O único remédio
Não para salvar, ou para conter
Feito barragem de rio transbordante
Em meio à correnteza desesperada
E sim para gritar alto uma dor
A dor de uma imposição
Da falta de empatia
A dor que nos obriga a ser feliz
E imbrinca padrões
Em tempos de redes sociais
Toda tristeza será castigada
E toda imperfeição apedrejada
É a intensificação das dores pós-modernas
Intensa de vazios
E o pavor em sentir dor
As dores do mundo aqui dentro
Aguente, resista, sinta.
Silencie sua dor, sua luta, suas subjetividades
Proteja-se da indiferença
Aprenda a voar se teus pés estão cansados
Palavras da salvação.
Onde andará “a centelha entre duas espadas”?

13.07.2018

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