Me arrebate!

E do meio pro final da conversa, minha mãe me inquiriu:
- Mas afinal de contas, o que é que você quer?
Eu não respondi. Eu não tenho resposta. Eu realmente não sei.

Eu só sei que não é isso e que não é você. Eu quero alguém que me arrebate, e , como num paradoxo, sutilmente tire os meus pés do chão por alguns segundos. E não, você não tira os meus pés do chão, definitivamente! O máximo que consegue é me arrepiar a pele.
Muitos dirão "Nossa, isso é tudo!". Mas não para mim, uma pena.
É preciso um 'quê' de admiração, de coragem, de enlace e de sedução. 
E entre as várias repreensões que recebo sobre minha grande exigência, autossuficiência amorosa, entojos e enjoos diante de mais do mesmo, reflito" se estou certa ou errada em minhas escolhas".
E já nem acredito  em escolha certa ou errada, não é milimetricamente certa ou errada, são apenas escolhas que mais tarde seguem com consequências, que podem ser boas, ótimas, ruins ou péssimas.
Não me considero uma pessoa solitária, longe disso! Meus sentimentos estão sempre latentes! Entre família, animais, amigos, pessoas...Ah, e os homens, é claro! Sim, adoro-os! São engraçados, espirituosos, admiráveis. São também monótonos, infantis e chatos. Gosto de me relacionar com eles, sim! Não há promiscuidade nisso. Sou adulta, razoavelmente com as faculdades mentais em dia com a sociedade (blaf!) e o melhor, livre!
Conheço gente interessante mundo a fora...Mas, sei lá, sinto que na maioria das vezes essas pessoas não conseguem me penetrar a fundo ( sentido metafórico, tá?). São as tais relações superficiais. Tem gente que não tem problema com isso. E até essa parte eu também não tenho. O pior para mim é quando vai ficando íntima e profunda para a outra pessoa, só que eu continuo lá...Na superficialidade que logo me enjoa, que não me toca- aquele lance de Clarice Lispector é uma máxima para mim- e se não tocar de imediato, não adiantam presentes, carinhos, oração, reza e nenhum outro artifício.
Fico pilhada. Por vezes me sinto culpada. Mas sei que não sou um iceberg. É só uma questão de encontrar a metafísica perfeita (perfeita no sentido para mim, tá? Já sei que não existem príncipes e criaturas perfeitas), é que eu ainda acredito no amor.
E o problema é que você não despertou a paixão e nem o amor em mim! Por mais maravilhoso e legal que você seja! Agora como farei  pra dizer isso sem te magoar, sem te fazer mal?
Sei que não vai adiantar entrar naquela história de que eu sou uma pessoa complicada, que tenho bloqueios emocionais e todo aquele blá blá blá que a gente fala pra minimizar a dor do outro, mas que é só um atenuante pra não falar a verdade, o óbvio: não, o amor não me chamou pra te amar.
E tudo isso está intrinsicamente ligado a uma crença minha, de que o amor não vem com o tempo, que ele não pode ser aprendido com o tempo- não o amor Eros e Philia. Para mim ou ele chega na hora, feito mágica mesmo, ou ele nunca vem. O amor que habita em mim é um cavalo selvagem livre e indomável!
Que confusão aglutina minha mente agora. Mas afinal, acho que já tenho a resposta para a minha mãe: eu não sei o que eu quero, mas com toda certeza, sei que não quero isso- uma companhia amena, um acompanhante social, alguém que seja pra mim um pênis amigo, que nutre por mim um sentimento que eu jamais poderei retribuir.
Eu quero o além da companhia, eu quero experimentar de novo o transcender do amor que faz toda dificuldade, erro e personalidade valer a pena. Aquela vontade nata de cuidar, de mimar e de estar junto sem sentir que sua privacidade foi pras cucuias.
Eu quero o difícil, pois o fácil não me preenche, não me enche e nem transborda- e eu só sei viver de ressaca- feito rio que transborda, enchente! Ser inteira, desnuda, alguém de alguém, e não mais alguém que alguém deseja, admira, ou ama. E o melhor, alguém que me faz sentir para além das coisas físicas, mas sem parecer sufocante, que tenha o peso do amor e a leveza da confiança.
Amar, amor latente, aquela dor que sente: quente. Piegas!
Como explicar isso pras gentes? Não se explica, né? Se sente!

Google imagens

Alguns grandes nomes da poesia tentaram tornar palpável esta sensação que carrego comigo:
'Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.'

Pablo Neruda
NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

Carlos Drummond de Andrade


Ana Paula Duarte. Em dilemas...e romantizada!

Comentários

Marcos Monteiro disse…
Puxa!!! Como comentar um texto desse? Bem, às vezes, como o amor, textos desses ultrapassam qualquer comentário... valeu Aníssima por postar...
Ana Paula Duarte disse…
Olha Marcos, suas palavras são e muito confortantes! Pois depois de ter escrito este texto, cheguei até msmo a limitar a visualização do Blog por uns dias (coisa que já liberei).
Nas descrições deste blog e mesmo nos textos escritos aqui deixo claro que este é o meu espaço, em que debulho minhas lágrimas e sentimentos, o meu eu-lírico, o meu eu inteiro e profundo, enfim!
Nunca cito nomes nas minhas postagens, visto que não importam aqui as pessoas ou fatos, mas o que os tais me fazem sentir, e dessa forma, registro através da poesia e da prosa. Não direciono a ninguém, pois se fosse essa minha intenção, citaria os nomes- não teria problema em o fazer- mas minha intensão aqui é poética, é imanente e relaciona-se entre mim e minhas sensações. E assim continuarei, pois só sei ser assim. Me admira uma pessoa que antes achava tudo isso louvável, agora colocar meu jeito de ser e forma de agir como algo vil, e pior: me acusar de coisas que julgo levianas e que expressam mau caratismo!
PAULO TAMBURRO. disse…
ANA,

lindíssimo e arrebatador!!!

Sinto falta da sua presença, por lá.

Um abração carioca

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