Um labirinto

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Deveria ter te entregue em mãos
O famoso novelo a ser desenrolado
Talvez assim terias encontrado 
O caminho de volta e terminado a excursão

[Mas não é mitologia
Não sou Ariadne
Muito menos é tu Teseu
Mas é o mundo este grande labirinto.]

O coração segue aflito
E dói essa alma a cada possibilidade
Aprendi que o silêncio é a maior lealdade
Para não cair no erro de continuar a alimentar este sonho-aborto

E se me dizem que demoro a esquecer
Se me dizem que o melhor é não querer
Ouço atentamente buscando apreender
Mas a teimosia inexiste aqui é tudo querer

E se quis ficar expert em dizer-te não
Tudo o que consegui de fato foi abafar
Todo esse amor em mim represado
E essa falsa tentativa de emulação

E o que me resta agora é sentir aqui
E devotar todo este amor que sinto por ti 
Não que esteja esperando consolações
Ou que esteja buscando aspirações

Já não sinto teu cheiro
E já não lembro do teu tom de voz
Há tempos não experimento o teu gosto
Já não é pele é alma em nada fugaz

Seria clichê se dissesse que esqueci de te esquecer?
E seria piegas se eu dissesse que eu temo te ver?
A verdade é que eu sei que nem Creta e nem Atenas
Seriam um problema se nós não nos deixássemos amover

E agora o que posso querer?
Se não posso dizer nem sofrer e se não posso fenecer
O que devo fazer?

[Produzir esse amor em forma de teia
Forjar em palavras o fio de Ariadne
Quem sabe assim se não liberto a ti ao menos a mim.]


Aníssima


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