Diário de ônibus

Marcos acordava todos os dias às 5:45. Não porque queria, mas era preciso. Essa rotina de levantar antes do sol nascer por completo e ainda pegar condução até o centro da cidade não lhe agradava. Descer no terminal e pegar outra condução para mais longe muito menos. Entretanto, neste dia, ele estava disposto e não tinha nada que lhe fizesse desistir de sua obrigação.Quando chegou ao ponto de ônibus, verificou seu relógio. Tinha sido pontual. Poucas pessoas também esperavam por um transporte. O sol raiava vagarosamente e o frio matinal se dissipava entre os raios solares. Não muito longe, dobrando uma esquina, seu primeiro destino do dia, apontava. Marcos ajeitou sua mochila e esperou confiante.O automóvel parou, Marcos subiu e se dirigiu ao cobrador. Passou a mão pelos bolsos e nada de tiquet. O cobrador o encarou seriamente. Ele sorriu sem jeito e procurou na mochila. Nada. Respirou chateado e buscou por moedas dispersas. Um senhor atrás dele já resmungava algumas palavras. E o pobre do Marcos se desesperando. Contou as moedas, faltava 5 centavos.- Só falta 5 centavos - choramingou para o cobrador.- Então não passa - respondeu ríspido.- Por favor! Eu não tenho mais dinheiro - insistiu.- Ou paga tudo ou desce no próximo ponto.Uma senhora que viu a situação e compadecendo-se daquilo, levantou e ofereceu 10 centavos para cobrir o que faltava da passagem. Marcos agradeceu e passou a catraca aliviado. Procurou por um bom lugar. Era melhor perto da janela, para sentir o ar fresco bater no rosto. Mas, só havia cadeiras vagas no corredor. Escolheu um local estratétigo e sentou.Ao seu lado uma mulher tinha um garotinho, que aparentava ter uns 4 anos, no colo. Este apontava e exclamava para tudo que via pela janela. E quando a mãe não permitia que falasse, resmungava e fingia chorar de raiva.
Aquela situação estava ficando incômoda. O ônibus começava a encher, as pessoas a tagarelar sem parar e ao lado, uma criança prestes a berrar. ele fitou o agrotinho furiosamente. Este, ao perceber sua cara irritado, mostrou-lhe a língua. Marcos, não se contendo, repetiu o gesto. O garotinho arregalou seus pequenos olhos surpreso com a atitude e exclamou:- Você tá me dando língua? Papai do céu vai te por de castigo.- E você também, não acha?O garotinho não achou graça de sua afirmação e passou a encará-lo minuciosamente. como quem esperasse uma gesto novo. Então começou a lhe fazer caretas. Marcos rolou os olhos. ele prosseguia com caras e bocas mais estranahs possíveis. e a paciência de jovem rapaz que estava encaminhando para o estágio sossego novamente, se diluiu.Recebeu cutucões, beliscões, mais caretas e a mãe nem reparava. E para onde ela estava observando? Se só se viam casas e mais casas do lado de fora? Talvez também estivesse cansada das estripulias do filho, ele pensou. Entretanto, aquilo se tornava uma bola de neve até que ele não suportou mais. Berrou nervoso.- Olha aqui! Não te deram educação não? Nunca te falaram que é feio mostrar a língua e chatear os outros, não?A mãe virou assustada e entrou na briga.- Faça-me o favor, cuide de sua vida! Em vez de amolar esse pobre garoto que não faz mal à ninguém.Marcos não retribuiu o insulto porque vários passageiros, ouvindo a gritaria, viraram-se para ele. E decididamente, não era a favor dele que ficariam. "Pobre garoto", será que ela é cega? Pensou consternado. Onde já se viu, não dá educação ao filho e ainda quer defender as atitudes errôneas do garoto. Decididamente, o dia de Marcos começava a se revelar um escasso de harmonia.

A única coisa que o confortava era saber que estava perto de descer desse automóvel. já podia avistar o local de desembarque. E agradecia por se livrar daquela início de manhã tão conturbado.Assimq ue saltou do ônibus, se dirigiu a plataforma do novo destino. Agora seria diferente. Ia tentar sentar perto da janela, e de preferência longe de crianças de colo. a essa hora, o aglomerado de pessoas aumentava no terminal. E o calor humano transmitia um certo incômodo. Maios uma vez a sensação de tranquilidade lhe escapava.Um onibus se aproximou e ele subiu rapidamente. Novamente não tinha lugares perto da janela. Preferiu sentar perto da porta, para não ter que atravessar a grande multidão quando o onibus estiver lotado. Do salod agora sentava uma mulher que tinha aparência de professora. concluiu ao analisar suas roupas e objetos que carregava. Livros de matemática, uma pasta azul e uma régua. desviou seus pensamentos quando o automovel começou a se movimentar.Cada ponto de onibus, subiam 3 ou 4 pessoas, e o calor aumentava. Marcos suava e desejava chegar o mais depressa ao seu trabalho. Uma senhora se aproximou e parou ao seu lado. Marcos permaneceu no seu local. A suposta professora o encarou com repreenssão. Ele fingiu não perceber. Até que ela o cutucou.- O que foi? - ele quis saber.- Seja gentil e ceda seu lugar à essa senhora. ela nãos e aguenta de pé.- E por que você não cede o seu? - perguntou irritado.- Que petulância! - se escandalizou - Não se fazem jovens como antigamente. Onde está o cavalheirismo de anos atrás. A educação aplicada.E mais uma vez o sermão entrava na manhã dele. Impacinete, s elevantou e ofereceu seu assento à senhora. Que, ainda inconformada, aceitou sem pestanejar. Marcos se agarrou a uma cadeira e tentou não pensar na situação. Onibus cheio, dia péssimo, dois sermões, duas culpas, muito calor, sem mencionar a situação do dinheiro. O que mais poderia acontecer?Duas ruas depois, o ônibus pára. Ele desperta de seus pensamentos e alguns passageiros reclamam.
O motorista levanta e pede a atenção de todos.- Sinto informar, mas o motor pifou. Vocês terão de descer e esperar um próximo ônibus. O cobrador vai dirigir todos para o próximo que passar. Desculpem-me.- Era só o que me faltava - Marcos exasperou. bufando saltou do transporte e se sentou no batente de uma loja ainda fechada. alguns passageiros reclamavam, diziam palavras grosseiras, outrso riam achando graça, e alguns nem se importavam com a situação. quanto tmepo ficariam ali? ninguém sabia. E o calor só aumentava. Na testa de Marcos uma gota de suor teimava em escorrer. Já imagina a cara do chefe. diria que deverie ter pegado um moto táxi. Mas, com que dinheiro? Se esquecera sua carteira. Vasculhou sua mochila e achou seus tiquets num bolso pequeno. O único local que se esquecera de procurar. Mas a cara do cobrador e o senhor atrás resmugando o desconcertou e atrapalhou sua busca. Será que o moto táxi aceita tiquet? Muito difícil. O jeito era esperar.As lojas aos poucos começavam a abrir. E cadê o ônibus? Será que quebrou também? Se isso tivesse acontecido seria coincidência ou castigo? Não podia pensar assim.um passageiro já discutia nervoso com o cobrador. este, nem parecia escutar os insultos. Mas ele não tinha culpa. Não estava dirigindo o ônibus e nem controlava o próximo que viria. Marcos se levantou e olhou ao longe. Um ônibus se aproximava. Aliviado, esperou mais tranquilo. Quando este parou, todos entraram afobados, não tinha lugares nas janelas e Marcos foi em pé por ter que ceder seu lugar a uam grávida. Não fazia mal. quem sabe na volta tudo mude?Em 10 minutos chegou ao seu destino final. Correu até a recepção da lanchonete. Estava fechado. Estranhou. Um outro colega se aproximou.- Está fechado. O patrão sofreu um acidente e não pode vim abrir a lanchonete.- Eu não acredito! - falou estupefado.- Pode acreditar. Sinta-se favorecido. Se estivesse aberto, o patrão ia querer saber do seu atraso.

Contudo, Marcos não se snetiu privilegiado com isso. Logo nod ia em que estava tão disposto ao levantar e depois de passar por toda aquela tribulação matinal, sua pretensão não passava de um simples alvo bem distante. toda sua paciência que fora embora várias vezes se transformou em tristeza. O que restava? Voltar para casa e passar por tudo novamente? Não queria isso.- É bom, vamos voltar para casa e dormir o resto do dia.O colega bateu de leve nas costas de Marcos. Ele sentiu um gosto amargo em sua boca e um desamparo. Caminhou de cabeça baixa até o ponto enquanto seu companheiro tagarelava sobre as coisas que iria fazer neste dia de "folga". E por que a sensação de desânimo pairava sobre sua mente? Queria entender, explicar a si mesmo. Somente a sensação de algo perdido tomava conta de si. Não tinha nada o que fazer. Era voltar para casa, encarando as duas viagens de retorno, que agora não tinham nada de agradável. Do outro lado da rua, um ônibus atravessava a avenida lotado de pessoas que se contorciam tentando encontrar uma posição mais confortável. Era o horário de pico. Lamentando a corrida perdida contra o tempo e às circunstâncias, Marcos espera o ônibus de volta para casa.

Thaiane Maria, uma amiga literata que escreve muitíssimo bem!

Comentários

Thaiane disse…
Hum...gostei do crédito :)
Mas é bom compartilhar nossas aventuras literárias com quem gosta também. É legal o espaço que você dá para quem escreve. E suas poesias são bem interessantes. Trata de coisas que muitas vezes nos deixam refletir, tem sentimento, eu gostei muito.
Bom Ana, amei seu blog.


bjin
Ana Paula Duarte disse…
Obrigada querida!
Sempre q tiver publicações, estamos aki!!
hehe
bjoos!

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