Mudar é Viver: A morte e a morte de Quincas Berro D'água.

Lendo o blog de meu irmão Messias, passando os olhos pelas sempre sábias e ávidas palavras, não houve como não lembrar de Quincas.

Joaquim Soares da Cunha aprendeu vivendo a sua morte que só poderia voltar a viver se houvesse uma mudança. Um dia despertou do seu sono dogmático e resolveu mudar. E que mudança!

Quincas deve ter lido as palavras do evangelho quando relata  um morto-vivo perguntando a Jesus o que era preciso fazer para viver. E Jesus deu o diagnóstico: _Amigão, seu caso é grave, só nascendo de novo. Joaquim, com a coragem que a maioria de nós não tem, morreu. Morreu para que pudesse viver. Não barganhou com a morte, morreu mesmo, para que pudesse ter vida plena. Nasceu Quincas Berro Dágua... o "Rei dos vagabundos da Bahia", o "senador das gafieiras", o "patriarca da zona do baixo meretrício", personagem que se tornou após sair de casa chamando mulher e filha de "jararacas".


A Sociedade do capital é um grande sepulcro, para os pobres que lutam para sobreviver, e para a classe média que a mantém enquanto perdem a vida tentando ascender socialmente. Quincas morreu para esta sociedade, para suas normas e para sua moral.


A força desta sociedade da morte era tão grande que quando os parentes encontraram o defunto, que estava mais vivo do que eles, trataram de fazer a única coisa que sabiam, matar. Rapidamente planejaram a morte do defunto.
Quincas Berro Dágua já defunto conseguiu morrer novamente para mais do que nunca permanecer vivo na memória e nas recordações de todos, Morreu como marinheiro que se entrega aos braços do mar, foi habitar no infinito.
Compreendo aquelas pessoas que nunca viveram e por não saberem o que é isso não têm chances de rejeitar a morte para tentar viver, mas não consigo compreender pessoas que sabem que estão morrendo, mas não conseguem se desprender da confortável morte. Preferem ficar ao lado das serpentes, das jararacas, do que se aventurar na vida que depende sempre que as mudanças sejam enfrentadas, assumidas e saboreadas.

Comentários

Daniel Savio disse…
Parece uma mania idiota a nossa, de ver os outros em melhor situação e acabar maldizendo o que ele faz...

Fique com Deus, menina Anissima.
Um abraço.
Lembrei-me de Nietzsche..." é preciso morrer na hora certa!"
Poxa, meu amigo, qta significãncia tem seu texto, UAU! E qta verdade também, pq de fato muitos de nós preferimos a confortável e contida morte...Como já sei q irei morrer, quero inovar, é necessária sabedoria até para morrer...E sei q a morte aí se aplica em vários sentidos...Bjos pra vc e sucesso, um dos melhores textos q já lii!
Pena disse…
Estimada e Simpática Amiga:
Bela visão da sociedade estereotipada do mundo de hoje.
"...A Sociedade do capital é um grande sepulcro, para os pobres que lutam para sobreviver, e para a classe média que a mantém enquanto perdem a vida tentando ascender socialmente. Quincas morreu para esta sociedade, para suas normas e para sua moral..."

A sociedade actual é inóspita e ofensiva perante o poder político dos mais fortes.
Excelente texto feito com magia e beleza. Uma realidade visível e perfeita, a que descreve.
Abraço amigo agradecido pela sua linda visita no meu blogue.
Aqui tudo cintila de luz que ofusca.
Com respeito, estima e consideração pelo que concebe de importância imensa.
MUITO OBRIGADO!
Sempre a admirá-la

pena

Excelente Post com a sua assinatura.
Adorei.
Bem-Haja, amiga.
Laine Kriss disse…
Amei o seu comentário sobre a vida, e achei muito imnteressante a sua leitura do livrro Quincas Borba.
Acho que estou aprendendo a viver
Essa postagem é do colaborador Marcos Felipe Marques, pessoal!
Me orgulho do meu time de colaboradores\o/!
paula disse…
Nossa que brilhante idéia de morte/vida e morte/morte.
Viajei em seu texto.
Uma experi~encia fantástica morrer em vida, devemos morrer sempre e deppis, nascer mais lúcidos, ou, bem mais felizes.
Abraço.
Oi, Ana, peço perdão... conheço e sigo teus espaços tem tempo [tanto lá no Espaço Literário como cá]... venho sempre por aqui, silenciosamente me alimento e saio sem deixar digitais... :D

Que bom que gostou do meu cantinho lá... Bjaum! ;)
Táxi Pluvioso disse…
Se for morrer para habitar um bordel, como um poeta do século XIX, concordo plenamente. boa semana
Everson Russo disse…
É sempre complexa essa ideia de morte na cabeça das pessoas...um belo texto...beijos de otima semana.
Marcos Fellipe disse…
Oi Aníssima tenho q aprender contigo a viver a vida bem vivida e a morrer mortes bem morridas... Valeu pelo elogio... Suas palavras de incentivo me deixam mais a vontade para colocar algumas palavras bestiais entre as inúmeras palavras encantadas do seu blog... Muita responsa postar aqui... Por isso venho tão pouco.... rssssssss... Prefiro lê-la... É sempre um prazer... Xerooooo Ana... Valeuuuu pessoas pelos comentários...
verinha disse…
Marcos é mesmo um rapaz e tanto e vocês formam uma bela dupla, aliás, toda o leque de amizades é rico!
Parabéns pela bela elucubração.

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