Aturdidos: Já que está todo mundo falando sobre mudar, pois, falarei também


Por Quezia Alvim

Acredito ser a mudança apenas uma saída, um escape nosso, do nosso cérebro, da nossa alma, sabe, uma válvula, quando você não tem mais pra onde ir, o que pensar o que fazer, você decide mudar. Mas pensando assim, será que você (eu, nós, eles), de fato, decidiu mudar, ou foi empurrado pra mudança?Penso assim, porque, convenhamos, mudar às vezes dói, é complicado. Isso porque a necessidade de mudança (acho que o termo é esse) chega justamente quando as coisas já se acomodaram, quando a pessoa começou a achar que era legal, que tava numa boa. Aí, de repente passa um redemoinho na vida e você percebe que não tem nada no lugar e você só tem uma saída, mudar também, afinal, ninguém quer ficar no vácuo, não é?
Mas isso eu acho uma boa, acho que se a vida não fizesse isso com a gente, talvez (digo talvez, porque não gosto de afirmações afirmativas demais), não estivéssemos hoje aqui falando sobre a necessidade e ao mesmo tempo da importância das mudanças.
E acho mais ainda, acho que só quem já viveu um grande terremoto, sabe do valor, da importância da mudança. Isso eu afirmo sem medo porque já passei por tantos terremotos que alguns até hoje ainda estremecem em mim, vai ver que é pra lembrar que por mais que me movimente e me movimentem, o que de fato fica são as bases que eu tenho e o que faço com elas depois de cada mudança. Porque, essas, não há terremotos que as movam, e não falo das coisas normais que todo mundo tem gostos e gestos...
Falo das poucas coisas que só eu tenho e se são poucas são justamente porque são apenas minhas, e não tenho pretensão em fazê-las tornarem-se muitas.
Só o que quero é que a cada mudança, a cada terremoto, eu aprenda a ser mais eu, a resignificar meus gostos e gestos. Pra que assim, depois eu (tu, eles) possa olhar pra trás e dizer:” pouxa, olha eu mudei, mas não deixei de ser eu, continuo sabendo quem sou, se me toco eu me sinto”. Se respiro o ar entra em minhas narinas e isso é tão bom, se saio pela rua é a minha pele que o Sol queima, é minha sombra que me acompanha.
Por isso que mudar é bom, porque a cada mudança, o que se estabelece é a sensação de que você é você e que as mudanças te fazem descobrir que ser você mesmo não tem problema nenhum desde que você saiba o que significa e o que implica ser você.

Quezia Alvim é graduada em Lic. em Pegagogia pela UEFS, e agora inicia suas investidas na escrita como colaboradora do Anaconfabulando.

Comentários

Daiane disse…
Viajei tb pensando em mudanças, e o que seriamos se tivessemos sempre "uma opinião formada sobre tudo", mudamos e tentamos entender as nossas complexidades, as vezes não entendemos, mas crescemos, apredemos e descobrimos até que "quão pouco descobrimos". Belas palavras e parabéns pelas investidas na escrita. Alguma coisa de Quezia tinha que estar estar no Anaconfabulando!Uhu!
Ana Paula Duarte disse…
Seja muito bem-vinda amiga minha, companheira de sempre!Já era pra estar aqui faz tempo, não é?
Mas, as coisas acontecem nos momentos certos!Que bom poder compartilhar com vc a Série Aturdidos e abrir espaço a vc e aos outros colaboradores e assim, deixar que nossos leitores possam ter vários posicionamentos de uma mesma ideia.
Isso é muito bom!
Um bjo e treine sempre sua escrita aqui.
Abraço a todos e todas.
Daniel Savio disse…
Interessante, eu diria sim que somos empurrados, mas acabamos tendo o livre arbitrio quando decidmos a solução e implementação da mudança...

Fique com Deus, menina Quezia.
Um abraço.
André do Carmo disse…
Acomodação é simplesmente uma clara manifestação de apego, acomodação de certa forma é um tipo de conforto, quando estamos confortáveis estamos acomodados.
Concordo plenamente que de certa forma a acomodação é designada pelo cerebro, sempre que converso com um primo meu estudante de pscologia ele vem com diversos conceitos se nêuro, e uma coisa que ele diz é que o cerebro sempre procura a tranquilidade e procura sempre o bem-estar...isso acontece inclusive com os vicios. cigarro por exemplo, a nicotina gera um bem-estar cerebral, ai sempre que esta em uma situação de stress, o cerebro procura semrpe a forma mais facil pra atingir o seu estado de bem-estar...ai acende-se o cigarro, e fuma :D

Discordo em dizer que as mudanças são simplesmente meras valvulas de escape (só acontecem assim em situações de terremotos mesmo, mudança forçada, emergencial, extraordinaria, sobrevivencia).

Sempre estamos buscando aprimorar nossas cosias, nossos sentidos, sentimentos, comportamentos...para transforma-los em uma BASE (Mudança Consciente), foi descrito base, e que elas nunca mudam, de fato não mudam, mas base não é so aquilo que aprendemos com nossos pais quando eramos crianças, base é aquilo que temos de fato, aquilo que sabemos, valorizamos e assim transformamos em parte de nós...tudo o que aprimoramos não mudamos, salvo em condições de sobrevivencia e legitima defesa. Então, mudamos sempre com objetivo de aprimorar as coisas.

Achei fantástica a forma com que concluiu a postagem "Por isso que mudar é bom, porque a cada mudança, o que se estabelece é a sensação de que você é você e que as mudanças te fazem descobrir que ser você mesmo não tem problema nenhum desde que você saiba o que significa e o que implica ser você."


Parabéns...excelentes colocações...visão fantástica :D
Aline disse…
Olá, nossa me identifiquei muito nos aturdidos, bem que ando aturdidinha mermo (ahsuhaushua).Gostei das várias visões sobre mudança, isso só enriquece seu blog e mostra que ainda existem pessoas conscientes no mundo, ainda que cada um vá pendendo pra uma ou outra tendência de pensamento e ideologia.Viva a diversidade.Viva o Anaconfabulando.
Gostei do A pé até encontrar um caminho um lugar pro que eu sou...Você vai longe querida.
Olá!

Ninguém é obrigado a nada e mudar é ter a certeza de que estamos vivos mesmo que essas mudanças nos façam perceber que "afinal as coisas não estavam tão mal assim..."

Arriscar é necessário,sempre!

Um beijo!

Sonia Regina.
Adri Ferreira disse…
Acho que somos mesmo empurrados à mudança.. a cada vez q damos uma mexida no nosso cérebro aprendemos mais sobre nós mesmos e assim conseguimos entender um poko mais sobre como nos relacionarmos mais e melhor com os demais. Essa é a idéia, não é? Aprendermos a conviver com as diferenças... aceitar o outro como ele é, desde que ele mesmo se aceite. Bjos. =D
Um caro cidadão disse…
Quando vi o nome, senti surpresa; quando vi o texto, alegria.



Fia, tu escreve maravilhosamente (já te disse isso).



Parece que fala... parece expressar bem mais do que podem as palavras.



Texto leve, interior, vivo.



Gosto de textos assim: me vejo em algumas passagens, justamente pelo forma humana como são descritas.


Mas, mesmo com tudo isso, não sou afeto a mudanças... =/


Abraço forte.


Parabéns pelo texto e pela iniciativa!

Postagens mais visitadas deste blog

O olhar de Margot sobre a vida adulta

O Profeta