VIDA EQUILIBRADA

Nesses ultimos dias conheci algumas pessoas que estão preocupadas em chegar ao equilíbrio. fiquei preocupado com eles, apesar de acreditar que eles não estão almejando coisa boa, acredito que eles crescerão na caminhada...
Vez por outra alguém me lembra que eu devo buscar o equilíbrio, principalmente em discussões. Parece-me até que esta é a saída para qualquer discussão, quando não temos mais nenhum argumento, esse argumento sempre cola, e todos concordam: _ Precisamos buscar o equilíbrio das coisas. Quem fala parte do que ele compreende como o que é esse ponto de equilíbrio, e quem ouve pensa a partir da sua compreensão, por isso sempre dá certo. Quando você não tiver mais nenhum argumento fale isso. (Lembrei de um professor meu de psicologia, ele sempre fala isso).

Quando passei a perceber a beleza da vida comecei a desconfiar desse tipo de desejo. Como afirmar que passei pela vida e não cometi exageros? Como viver sem lutar por uma ideologia ou acreditar com todas as forças que vou alcançar uma utopia? O que seria a vida sem os altos e baixos, sem quebrar a cara por errar feio. O que seria dessa vida sem aquela noite que você ultrapassou todos os limites, mas que pela manhã acordou ao lado da pessoa que você ama?

O que seria a vida se os Joaquins Soares da Cunha não morressem para deixar nascer os Quincas Berro D’água? Ou se Ojuara, o grande herói do Sertão, nunca deixasse de ser Araújo? Ou se Riobaldo e Diadorin ouvissem esse tipo conselho e decidissem viver uma vida equilibrada.

Mas o que é mesmo esse troço de equilíbrio? Pensei num garotinho que tinha nas mãos uma tábua comprida e sobre esta tábua corria uma bolinha, a bolinha corria de um lado para o outro, até que o menino conseguiu equilibrar a bola e esta ficou paradinha no centro da tábua, não contente com seu feito, a criança tratou de desequilibrar novamente a bolinha para que a brincadeira continuasse.

A beleza da brincadeira assim como a beleza da vida está enquanto a bolinha corre de um lado para o outro. Vida é movimento, equilíbrio é o inverso disso.

Se uma vida equilibrada é estudar a metade da vida, conseguir um bom emprego, trabalhar com afinco para se estabelecer no emprego, trabalhar para casar, depois para ter filhos, depois para conseguir uma promoção, proporcionar garantias aos filhos e finalmente garantir uma aposentadoria tranqüila e equilibrada. Vender a vida para o sistema e depois da aposentadoria tentar vivê-la. Boa Sorte! Optei por outros caminhos!

Marcos Fellipe Marques é graduando da Faculdade de Teologia do STBNE, graduando em Letras Vernáculas na UEFS e mentor espiritual da administradora do blog.Já possui um blog, o Conversagabiru, onde escreve sobre filosofia aliada à teologia.

Comentários

Gutox disse…
òtimo post...interessante mesmo e bem inteligente.
Vida é movimento, equilíbrio é o inverso disso.
Optarei por outro caminho tbm!
Ana Paula Duarte disse…
Uhuhu...Seja muitíssimo bem-vindo caro colega Marcos Fellipe!
Fico feliz por ver que começou com um texto completo e rico assim, delícia de mensagem...Sabe que sou fâ de carteirinha de teu blog, de tua pregação e de tudo que vc escreve, sua bagagem é graandee!
Pois, esteja a vontade aquii!
Abraçãao.
Beto Lopes disse…
Um texto bastante reflexivo. Por vezes já parei para pensar, como será minha vida daqui a 5 ou 10 anos. E sempre me deparo com a questão da estabilidade financeira, casar, ter filhos...

No entanto me lembrei da letra de Sereníssima, onde o Renato Russso com sua genialidade dizia: Conseguir meu equilíbrio cortejando a insanidade...
André do Carmo disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
André do Carmo disse…
Lindo Post. muito interessante.

Equilíbrio, é algo que buscamos sempre manter,afinal a inclinação da madeira nao depende sempre do menino, entao, o menino sempre busca equilibrar a madeira a fim de que a bola nao caia, ele equilibra a bolinha dentro da área da madeira, e equilíbrio ao meu ver é isso...não deixar a bola parar, mas sim deixar a bola correr dentro de uma àrea e manter o controle sobre aquilo...claro que a área da madeira, cada um escolhe o seu tamanho, mas a brincadeira nao seria divertida se a madeira fosse enooooorme, afinal ele inclinaria pra la, a bola percorreria lentamente, e longes percursos, e ai ele voltariiiiiiia, e a bolinha percorreria outro certo tanto...acho que quando a madeira é menor, a brincadeira fica mais difícil, e a nececessidade de aprimorar pra manter o controle da bolinha também é bem maior...ficar com a bilinha parada no meio é chato, acaba com a brincadeira (acomodação), deixar a bolinha cair da madeira também acaba a brincadeira (Descontrole/Erros...)no sengundo caso tem q tentar fazer o jogo mais uma vez (+ 1 chance), pra aprender se aprimorar e melhorar (as vezes aprende-se depois de errar)...e o equilibrio pra mim no jogo é isso, nem parar a bola, nem deixar ela cair.

:)

Lindo Post, muito inteligente...


André
Inside Me disse…
oiee, tô voltando, aos poucos, mas com muito humor, bjão da inside xD
Um caro cidadão disse…
Véi (conceda-me o prazer de escrever como converso), se eu olhar o tempo que gasto subindo essas ladeira da vida, pra descer naquelas correria insana e descontrolada... ahhhh diria que o campo é grande e a bolinha roooooooooooooola. kkk



E é isso aí.



Quero trabalhar, estudo por prazer, quero casar, quero ter meus filhos e quero, claro, aposentar-me, minha velhices será para meus casos, contos, ditos e escritos hehehehe. Se Deus quiser farei tudo isso sem vender minha vida ao sistema.


Faço minhas escolhas e sou feliz com elas tanto quanto imagino que você seja. Êta que amo meu trabalho exatamente pelo desequilíbrio, pela ausência de rotinas... enfim. Por muitas razões.




Amei o texto. Desde já recebo-o com um abraço fraterno e espero mais leituras assim.



É bom, também, lembrar a sabedoria popular, né?


"Pedra que rola não cria limo!"
Daniel Savio disse…
Até concordo que o equilibrio seja a melhor condição, mas tem situações extremas que pedem o extremo de nós, nesta sim que são permitidas sair do equilibrio...

Fique com Deus, Menino Marcos Fellipe.
Um abraço.
jefferson disse…
Esse Marcos... sempre sempre intrigante. Valeu parceiro!!! Tô na área!!!
Aline disse…
kkkkkkkkkkkkkkkk
Achei engradíssimo texto!
Diante do que foi dito aqui, me abstenho de comentar sobre a minha forma de vida, mas afirmo que buscar esse equilíbrio, essa bolinha e essa analogia toda aí vai levar ao cansaço.
Quem precisa de equilíbrio?
Eu não!

Blog só sucesso!

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