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Caminho

Os passos desnudam O caminho Margem da cordilheira Onde anda o peregrino. Tímidos passos no chão No reflexo dos olhos as estrelas Que deitadas na mão Do céu que.. Olha O caminho E a borboleta que flutua Na palma do peregrino. R.Vinicius (Essa poesia foi feita especialmente para mim, combinando com o título do Blog!Adorei amigo Vinicius!Talento é o teu sobrenome!)

A poesia e eu

Eu sou toda poesia... E a poesia que há em mim, aturde e assusta, clama por mais espaço... Clama por novos horizontes e novas experiências. Absorve tudo ao seu redor e diferencia-se cada vez mais de minha personalidade rude, Tornando-se um mix interessante de comportamentos, sentimentos e pensamentos. Que ela em mim torne-se a pele que me envolve, os tecidos que compôem meu corpo... Que ela me seja tão vital quanto o ar que absorvo, Que eu e ela, juntas, formemos uma bifurcação firme e eterna. Que ela me tome completamente...Eu deixo! Eu me alimento de poesia, da mais profunda poesia que sai de mim mesma. E ela me leva...feito uma folha de outono exposta ao vento. Ana Paula Duarte

Revolta

Acabou de dar no jornal a notícia oficial sobre a morte cerebral da Eloá...Sabe o que eu acho? Ela já estava morta desde a segunda-feira, quando o seu ex-namorado, o tal Lindemberg, que de lindo nem mesmo o nome, movido pelo diabo do seu caráter aliado ao diabo entidade do mal, invadiu seu apartamento e a prendeu ali sob a mira de um revólver.Por que eu acho isso? Ora, ele foi ali para cometer o crime, comprou arma, organizou um horário...Só não percebeu quem ainda acredita em conto de fadas. Isso suscita a discussão sobre a questão da possessividade nos relacionamentos.A maioria dos relacionamentos é enredado por um ciúme doentio e imbecil, afinal ninguém é dono de ninguém...As pessoas sentem necessidade de alguém que as complete...Pois bem, nós precisamos que Deus nos complete!Não devemos buscar o que nos falta no outro, ser falho e incompleto, humano.Temos que entender o real significado de um relacionamento meu povo, pois não é esta entrega absurda do corpo e da alma, não é essa de...

Sobre a beleza

Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas. Sêneca Nossa, será que sou uma mulher assim, será que somos mulheres assim? E se não somos, o que é que nos falta? Será que estamos realmente preocupadas com as partes isoladas? Precisamos rever isso! Os créditos são de Vivian Maguinther, foi em seu blog que encontrei o texto e gostei bastante, postei aqui. Ah, e a garota da foto sou eu...rs... Abraços.
Eu quero a poesia, sentir a poesia, descobrir-te...cobrir-te... afundar-me, inundar-me,esvaziar-me, encher-me do que faz falta em mim e encontro em ti nada mais...! Árcade [Poesis] (Dayana Karla, mais uma companheira literata talentosíssima)

Eleições 2008

Fiquei dias pensando se escreveria ou não sobre os acontecimentos da última semana de campanha nas eleições para prefeito e vereador em Feira de Santana. Pensei, pensei... Pensei!Mas estive em cólera por alguns dias, então resolvi deixar que os meus ânimos se acalmassem pra que então eu pudesse ser mais sucinta e menos barraqueira. O que eu vi foi o que todo mundo viu, eu posso apenas ter me incomodado um pouco mais. A festa da democracia... Mas meu pai do céu, que democracia, eu pergunto!Quanta hipocrisia, quanta bobagem e quanta futilidade. É atual prefeito pedindo voto-presente pra candidato, é bate-boca demente em debates na TV, é horário político mais divertido que programa de humor... É eleitor não exigindo nada, é eleitor dando voto por qualquer bugiganga, é eleitor indo votar sobre o forte efeito do álcool!Até onde chegou o povo brasileiro... E a sociedade feirense, pobre alienada, aceita de bom grado as esmolas... Idolatrando um prefeito que apenas cumpriu com sua obrigação....

Chuva

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Neste exato momento chove lá fora... A chuva traz renovação. Quero que chova na minha vida também. Pois logo depois da chuva, exala na terra um frescor sereno de limpeza. Que a chuva limpe a minha vida também. E que a encha de esperanças, que há tanto em mim já se foi. Tenho me tornado mais cientista e menos crédula... E isso não devia acontecer, não fiz planos pra isso. Faz tanto frio... Faz tempo que não chovia assim! É de uma chuva assim que necessita a minha vida, Para voltar a florir como antes, Amores fascinantes, presenças relevantes. Que essa chuva me traga algo diferente... Um motivo pra acordar sorridente todos os dias. Uma novidade humana e imperfeita, E que nela a simplicidade me encante Mas que não seja a minha razão de viver, E sim uma boa razão para continuar sorrindo. Um amor pra mim. Um ser que exista pra me completar. Ana Paula Duarte.
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Euforias e preocupações aturdem minha cabeça, E já não tenho a inspiração companheira diária, Que eu louvava e acolhia como uma benção unicamente minha... Sobre o que falar? Como tocar as pessoas? Tocar as pessoas, por quê? Num grau metafísico mergulhar em mim, Inquietações minhas... Inquietações do mundo que absorvo. É fácil escrever, agora o faço... O difícil é tocar... O difícil é se abrir... Desarmar-se completamente. Tento buscar novamente a inspiração da minha vida, Caso alguém a encontre por aí, diga-lhe que tenho saudades. Ana Paula Duarte
Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente. Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida regular como um paradigma da 1a conjugação. Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto. Casou com uma regência. Foi feliz. Era possessivo como um pronome. E ela era bitransitiva. Tentou ir para os EUA. Não deu. Acharam um artigo indefinido em sua bagagem. A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva, o tempo todo. Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça. (Paulo Leminski)
"Antes bobagens sem responsabilidades eram nossas felicidades. Hoje, responsabilidades sem bobagens são os motivos das nossas felicidades." Wagner Lobo
Escrever é como parir. A mulher engravida, nasce-lhe o rebento. Ela cuida até que ele emancipe-se. Assim é a escrita: O escritor engravida de sua idéia, desenvolve-a, Até que nasce o texto, as palavras se despegam dele, Voam para o mundo... Fonte maior de inspiração. Portanto, os créditos são dos diversos seres e suas histórias, gestos e contextos. Bela miscelânia que compôe a vida. Ana Paula Duarte [Eu em um papo virtual com Wagner, para quem dedico, afinal, foi tentanto lhe explicar como se dá o ato da escrita, que novamente engravido...]
"(...) em mim, a anatomia ficou louca, sou todo coração"! Maiacovisky, revolucionário russo que também era poeta.

O vento

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Nas madrugadas frias e também nas de calor O vento da noite me chega com lembranças suas... Já não me assusto, já nem questiono e nem amedronto. Nada voltou a ser como era. Por mais que se tente parecer racional e calculista, A s lembranças chegam absolutas E já não me causam dor... Me causam revolta, nostalgia, revolta, nostalgia. Nesse ciclo de sentimentos faltou a coragem. E essa é tudo o que eu não tive. Resta-me a certeza de que nada ficará como antes... Nem meus sentimentos, nem a minha respiração, nem os valores. Você existiu um dia, melhor se não o tivesse, Mas o passado não se muda...resta-me um futuro de evolução. Resta-me lembrar nas madrugadas... O quão importante um dia foi O quão insignificante é, Tornando-se vivo apenas nas madrugadas. As lembranças que te trazem e não eu. O meu amor um dia tornou-se ódio, Que logo tornou-se algo inexplicável...inerte. Subentendido...hoje em mim desconhecido. Ana Paula Duarte

Doçura

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Há em mim doçura? Encontrará alguém em mim doçura? Ou sempre fel desatinado e agoniado por amargar ? A minha doçura ninguém conhece... Talvez exista, talvez inexista... E se for, será ambígua. Será falha, será mesclada das doçuras mundanas e divinas... Afinal sofro influências do mundo e de Deus. Ainda não alcancei o céu Quem sabe um dia? Por hora sigo indagando-me se haverá em mim doçura Qualquer tipo de doçura. Ana Paula Duarte
Aos companheiros acadêmicos.      Quando entrei na Universidade, imaginei encontrar ali um ambiente diverso,  um espaço que refletisse a universalidade, que ali eu aprenderia as grandes coisas da vida. Um ano e meio depois, enxergo tudo mais claro e diferente. A universidade é falha, pois faz parte de todo um sistema, inclusive de interesses políticos e sociais. Seu objetivo não é sempre a transformação, mas a manutenção do que está posto. As coisas da vida que achei que aprenderia na academia, essas, só posso mesmo aprender com a própria vida.      Outra coisa que aprendi durante esse tempo é sobre os pseudo-intelectuais. Estes seres são responsáveis por promover a arrogância e a prepotência. Enfadam-se na leitura de livros(muitos só fingem lê-los), zombam de outras pessoas, se escondem atrás de um diploma, mas, na universidade da vida, não passam de tolos, todos uns fracos e inseguros.      O que tenho...
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"Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. (...) Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva. Não estou me referindo a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase possível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação. Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada... Lembrando-me agora com saudade da dor de escrever livros." Clarice Lispector. A Descoberta do Mundo.

A verdadeira arte

Na tentativa de desenhar meu porvir rabisco traços ensolarados, desenho infantil:braços distorcidos,olhos desmedidos... Só então percebo quão imprecisos são meus quereres derramados e delicadamente abandono o pincel. Aos pés antes descalços surgem dedos burilados, das telas brancas gotas vermelhas. Poso resvalada, espero ansiosa. Sinto uma expectativa quase ingênua como se desenrolasse o papiro dos segredos mais sonoros; E perpasso por aquelas formas... Em vários planos se dava aquela feitura, Ponteiros soltos, gente passante, Palavras de amor e respostas rasgadas Misto de regozijo e sacrifício, E eu aspirante a sândalo. Tentei agradecer, Balbuciei frases, espelhei gestos... Em vão! Foi então que chorei. De minha expressão copiosa surgiu um abraço e num lampejo eu o amei. Amei com o amor que ele me deu, Amei deveras, amei e só. Não fiz perguntas: amei Não sustive reservas: amei Sem racionalidade: amei Sem um por que: amei. Artista maior, homem amado, Espero-te ...

Flor

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Por que sempre esperamos mais dos outros? Por que a pétala de uma flor é tão frágil? Por que as relações inter-familiares estão difíceis? Por que entre o amor e o ódio há um fio tênue que perpassa diversas vezes, feito um país sem guarita em fronteira? São perguntas que me faço sempre...já aqui não impera o meu eu lírico E sim meu eu curioso por respostas que nunca vêm... Tanta coisa muda, mas acaba que na verdade nada muda! Uma amiga me falou que a vida não está sendo fácil pra ninguém. Mas, percebendo a pétala da flor Vi que ainda frágil, o vento a balança, a sacode de um lado a outro, mas ela resiste e não deixa de ser frágil. Talvez eu seja a pétala de uma flor. Talvez você também seja. Mas tudo é tão indefinido e eu só queria ser mais forte... Uma pétala de ferro...dura e sensível, um paradoxo fundido! Sou flor de carne e osso. Ana Paula Duarte

Com o mundo nas mãos

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Bernardo tem cinco anos, mas já sabe da existência do Japão. E aponta para o céu com o dedo:- É atrás daquele teto azul que fica o Japão?Tenho de explicar-lhe que aquilo é o céu, não é teto nenhum. (...)Na primeira oportunidade compro e trago para casa um mapa-múndi. (...) O menino não lhe deu muita importância, quando apontei nele o Japão e a Inglaterra, o Brasil, os países todos. Limitou-se a faze-lo girar doidamente, aos tapas, até que se desprendesse do suporte de metal. Consegui convence-lo a ir destruir outro brinquedo, o secador de cabelo da mãe por exemplo, que faz um ventinho engraçado – e assim que eu me vi só, tranquei-me no escritório para apreciar devidamente a minha nova aquisição. Com o mundo nas mãos, descobri coisas de espantar. Descobri que a Coréia é muito mais lá pra cima do que eu imaginava – uma espécie de penduricalho da China, ali mesmo no costado do Japão. (...) A Tasmânia não tem. Pelo menos não encontrei. (...)Duvido que alguém me diga onde fica. A que aventu...

A Ascendência da Alvorada

Na ascendência da alvorada ao despertar dos sonhos Que abrem as comportas para a realidade A vontade de lutar sobrepõe-se as constantes afrontas Que surgem do mais profundo do oceano da alma Cicatrizes que teimam em aparecer demonstrando as marcas do coração Sopro divino invade o peito te levando ao êxtase da maravilhosa graça Suspiros de anjos se ouvem como um hino Renovam tuas forças e presenteiam com novas asas Morphinnus(Gutoo, eu lírico talentosíssimo!)